Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A Filipa subiu à árvore

O tempo passa, não pede licença e atropela sem olhar para trás, implacável.

Isto podia ser um grande início para um romance candidato a Pulitzer, mas vamos deixar isso para os verdadeiros artistas e reduzir a coisa ao recomeço das cenas.

 

Passaram 2 anos e picos, por isso temos que fazer contas. A menina está muito perto de somar o 5º e o terrorist... e o rapazola já conta metade disso. Achei por bem largar a Zita e o Zico, que soavam muito a Tico e Teco. Eu gosto de esquilos, mas não abusemos. Ficam simplesmente a Maria e o Manel.

 

Adiante.

 

Uma história para ajudar a fechar a pestana continua a ser um momento agradável antes do descanso dos guerreiros. Agradável mesmo quando perante a insistência da menina que ainda não sabe ler, a mesma história se repete noite após noite: uma estúpida guerra de letras que as tornam incapazes de formar palavras como alegria, amizade, felicidade e outras da mesma família. O conto faz parte de um livro que o Expresso lançou e que todas as noites me faz arrepender de o ter levado para casa. Tem a parte boa: o cd áudio com a história contada pela voz de Bárbara Guimarães, mas que na cama não dá jeito nenhum (o cd, claro!).

 

Pois bem, a história é mesmo muito enjoativa e começou a interferir com o meu próprio fechar de pestana. Houve a necessidade, então, de colocar novas rotinas em cima da cama. Após negociações muito complicadas, chegámos ao acordo possível: “Eu conto uma história inventada por mim e tu, Maria, fazes o mesmo depois”.

 

Era uma vez uma gatinha chamada Fufi que vivia num lindo jardim cheio de flores, árvores.e ratinhos saborosos. Era muito feliz e gordinha. A sua amiga gatinha Mimi todos os dias a visitava e brincavam muito. De vez em quando paravam para comer ratinhos. Eram muito felizes as duas, mas depressa se cansaram de comer ratinhos e passaram a caçar pardais nas árvores.”

 

(“Fufi?? Mimi?? Gatinhos?? Esta história ainda é mais merdosa que a das letras. Vou dormir”, Manel)

 

Um dia a Mimi subiu ao mais fino ramo da mais alta árvore do jardim. Tropeçou num ninho e estatelou-se lá em baixo. Os gatinhos costumam cair de pé, mas a Mimi, apesar de ser muito bonita, era muito desengonçada. Caiu mal e partiu uma pata ou até mesmo duas. Os ratinhos riram-se muito. Os donos da Fufi levaram a Mimi ao veterinário e a Mimi teve que lá ficar 3 dias. A Fufi pensou em regressar a casa para brincar no seu jardim, mas achou que devia ficar a fazer companhia à sua amiga, e ficou lá os 3 dias. Elas eram muito amigas. Quando regressaram ao jardim voltaram a brincar muito e comeram ratinhos para sempre. Agora és tu, Maria.”

 

“Era uma vez duas meninas muito amigas. A Rita e a Filipa. Um dia estavam a brincar no jardim e a Filipa subiu à arvore. Caiu e fez um dói dói muito grande na perna. Os pais levaram a Filipa ao veterinário. A Rita deu-lhe muitos beijinhos e ela ficou boa para sempre. Quando chegaram a casa comeram muito muito muito. Eram as duas gordinhas. Depois brincaram muito. Pai, vou dormir...



publicado por ardinario às 12:17
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Voltei...

... ao quiosque.

Quando for para vir para aqui outra vez eu aviso :)



publicado por ardinario às 16:26
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Alerta vermelho

Com a chegada do Zico, a casa por vezes torna-se numa zona de alta turbulência, o que obriga a mãe a lançar sucessivos alertas, que variam entre o vermelho e o... encarnado. Não lhe vale de nada, porque um alerta máximo só tem razão de existir quando os miúdos estão em superioridade numérica. Logo, o alerta morre à nascença e o adulto em questão - em 97% dos casos... a mãe - terá mesmo que fazer de polícia, bombeiro e protecção civil.

 

A cena - ou a coisa, como queiram - passou-se na fase de rescaldo de um alerta vermelho.

 

Zita - Mãe, posso fazer-te uma pergunta?

Mãe (com os bofes de fora) - Podes, filha...

Zita - Já te disse que não podes fazer tudo ao mesmo tempo!!



publicado por ardinario às 21:36
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
Vai ser difícil superar esta

Pai - Zita, como se chama o pai do Pinóquio?

Zita - Zé Preto!



publicado por ardinario às 15:29
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Zico

No dia em que a mãe se chibar e colocar este blog à frente dos olhos do Zico, ele vai ter contas a ajustar comigo. "Como é, cota? Onde estão os meus posts? Só vejo Zita, Zita, Zita...".

Calma, míudo, este é só para ti.

 

Pai - Gu gu gu!

Zico - Gu gu!

Pai - Blé blé blé!

Zico - Blé blé!

Pai - Tá tá tá!

Zico - Tá tá!

Pai (entusiasmadíssimo!) - SLB SLB SLB, GLORIOSO SLB!!

Zico - (BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ)

Pai - Pronto, pronto. Não vamos forçar as coisas. Há tempo, há tempo... Isso também é fome, de certeza. MÃE! TRAZ CÁ A MAAAAAMA!



publicado por ardinario às 19:22
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Terça-feira, 18 de Março de 2008
Sacos

Pai Zita, pode parecer estranho a muita gente, mas parece que finalmente compreendi esse teu estranho ritual de juntar objectos dentro de carteiras e sacos. Lembras-te quando te tentei explicar que a partir de certa altura teríamos que aturar a tua mãe 24 horas por dia, devido à gravidez de risco Zico que aí vinha, durante os próximos meses? E lembras-te de ter dito que no final dessa gravidez de Zico, teríamos mais 4 meses de mãe a dias? E recordas-te certamente de eu te garantir que uma mãe como a tua mãe seria incapaz de manter a barriga quieta em casa no pré-Zico e um Zico quieto em casa no pós-risco? E diz-me agora, filha minha, para onde vai uma mãe como a tua mãe, com uma filha como a filha dela – que és tu -, durante uma gravidez de Zico e após um Zico nos braços?... Eu sei que tu sabes, Zita… Diz comigo: Pingo

Zita - … Doce.

PaiSho

Zita - …pping.

Pai- Loja do…

Zita - … chinês!

Pai – Pois bem. Portanto, não deveria ser surpresa para mim, embora só agora o tenha compreendido, que o facto de tu neste momento carregares essas duas carteiras aos ombros, cheias até cima sei lá de quê, e esses três sacos do Pingo Doce nas mãos, atolados de legos, bonecas da barbie, peças de puzzle avulsas e outras bugigangas variadas, apenas vai de encontro ao que a tua mãe tem praticado afincadamente nos últimos meses – go shopping.

ZitaShopping.

Pai – Exacto. Filha, eu sei muito bem que a partir do momento em que saíres desta porta até ao momento em que voltares a entrar por ela, tu não vais precisar de absolutamente nada do que está dentro dessas carteiras e desses sacos. Não vais abri-los sequer. Quanto muito, vais obrigar alguém a carregar isso por ti, porque nenhuma menina da tua idade consegue carregar essa tralha a pé, daqui até ao quiosque…

Zita – Eu consigo, pai.

Pai - Filha, nós vamos sair só os dois, e eu tenho a certeza que quando chegarmos a meio do caminho, tu vais ficar a cambalear e acabas por me pedir colo. Eu dou-te colo, mas não dou colo aos teus sacos nem às tuas carteiras. Estamos entendidos?

Zita – Sim.

Pai – Então porque é que estás a encher outro saco, enquanto falo contigo?

Zita – Porque sim.

Pai - Já ontem demorámos 3 sacos a sair de casa. Leva só a carteira cor-de-rosa e vamos embora.

Zita – Vou levar tudo tudo tudo tudo!

Pai – Ok. Então vamos fazer o seguinte. Vamos descer. Eu, tu, as tuas carteirinhas e os teus saquinhos. Seguimos até ao carro, que neste preciso está estacionado no melhor lugar da rua. Entramos no carro. Eu, tu e a tua tralha. E vamos então percorrer 500 metros de automóvel, daqui até ao quiosque, procurar um novo lugar (se houver, o que eu duvido), e largar 50 cêntimos no parvómetro, ou como raio se chama aquilo! Deixa-me perguntar-te uma coisa, minha linda. Parece-te lógico, isto?

Zita – Ãh?

Pai – Achas decente este plano B da nossa ida ao quiosque?

Zita - …

Pai – Estou a falar contigo, míuda… ZITA! O QUE É QUE TU ESTÁS A FAZER? LARGA O SACO DA ZARA IMEDIATAMENTE! O QUE É QUE TU VAIS PÔR NESSE SACO, ZITA?

Zita – Sacos.



publicado por ardinario às 21:42
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008
Para que fique devidamente documentado

(...)

O. (maratonista em part-time) - Epá, deixem-se de conversas de m**** e passemos a temas que realmente interessam! Alguem sabe em que lugar ficou o Socrates na meia maratona ontem?

J. - Ele só fez a mini maratona porque, pelo que li, tem treinado pouco.

O. (maratonista em part-time) - Ele fez a mini mas alguem lhe há-de passar o papel a dizer que venceu a meia!

J. - LOL. E tu?

O. (ex-maratonista em part-time) - Eu agora mudo fraldas espectacular mas, repito, não entremos noutra conversa de m****.

J. - Mudas mesmo? Mesmo as mais técnicas?

A. (rdinario) - Nã. O O. tem cara de quem é espectacular a dar instruções ao “mudador de fraldas”: “Olha ali à esquerda! Isso, isso! Pressiona agora! Vamos, vamos, não desistas… Vá, não vires a cara ao lance… Limpa à direita… iiiiiiiiiiiisso! Embrulha!”

O O. é o Mourinho das fraldas.

O. (pai a tempo inteiro) - Nada disso. É mais do genero cirurgia, com a minha patroa como assistente:

 Abro a fralda para avaliar.

 - "Isto ta bonito, está! Foi até à 8ª vertebra! Vou precisar de uma muda de roupa interior... papel absorvente para conter o jacto... toalhete... aquece na mão p.f.... outro...  ta a fazer!! mais papel! Rápido!!!"

 - "Calma!!"

 - "...Limpa a parede s.f.f. ... outro toalhete... outro... mais outro... fralda... óleo... body... meia calça... fato... ufa!"

 - "Eu mudo-lhe sempre a fralda sozinha!"

 - "Sim, mas não fica tão bem feito!"

J. - mega-lol. Muito bom. Estou com vontade de filmar uma das minhas performances a esse nível para vocês poderem avaliar a minha técnica. Mas é capaz de ser interpretado pelos restantes cromos como uma parvoíce.

 Mas uma coisa é certa: mudas de fralda em parceria está fora de questão. Ou sou eu ou ela. Gajas no fraldário só atrapalham. "Vê lá se tens as mãos frias", "Põe mais um bocado de halibut", "Liga o aquecedor da casa-de-banho", phone-ix. Lá em casa só tenho machos, carago! (e quero que continuem assim).

 


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publicado por ardinario às 22:01
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Um doce de menina

Zita  - Se te portas mal, levas duas palmadas. Levas duas palmadas com força. Levas duas palmadas e vais de castigo ali para a relva. Ficas lá sozinho e não sais de lá.

Pai - Ohhh, mas eu porto-me bem...

Zita - Mas... mas... mas... se te portas mal levas duas palmadas com força, vais de castigo sozinho, e... e... e... e aperto-te as duas mãos com força!

Pai - As duas??

Zita - ... Hmmm...Não. Só uma.



publicado por ardinario às 21:49
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008
Calibrar o açoite

O açoite, essa espécie em vias de extinção, continua a ser, na minha humilde opinião, uma das melhores armas de educação (maciça ou não maciça). Tirando um ou outro caso - ainda hoje a mãe do Cristiano Ronaldo dá graças a Deus por não ter puxado a mão atrás quando o filho faltou pela primeira vez à escola para ficar a jogar à bola - é frequente ouvirmos da boca de alguns famosos confissões como "Na altura estava capaz de derreter o mundo à porrada, mas hoje em dia agradeço aquela reprimenda em forma de açoite que o meu velho me espetou nas bentas. Talvez tenha marcado a diferença entre uma hipotética vida de drogas duras ou o estar hoje aqui a divertir-me como gente grande nesta grandiosa e giríssima parada gay".

Bem, deixemos o Elton John em paz e vamos em frente.

Sem querer apaneleirar muito a coisa - se é que o parágrafo anterior não deu já cabo de tudo - deixem-me diferenciar o açoite da palmada. A palmada cobre essencialmente casos simples em situações pontuais, quando por exemplo a criançada se entretém a pôr em causa a lei da gravidade com objectos frágeis. Açoite, por seu lado, é o plural de palmada, e é geralmente aplicado quando a miudagem cai no erro de desafiar a palmada, ou quando testa a lei da gravidade repetidas vezes, ou até mesmo quando salta a cada golo do sporting ( testar a lei da gravidade com o irmão mais novo também pode entrar na categoria de açoite).

O açoite tem uma grande vantagem: no seu desenrolar há sempre pelo menos uma palmada que tem o efeito desejado. E se a coisa é bem administrada desde o início, encontrando o ritmo e intensidade certas (agora pareço o Rui Santos), todas elas se podem tornar bem sucedidas. E é precisamente aqui que se encontra o problema da palmada. Não tem ritmo porque é filha única, e quando administrada com pouca intensidade, será certamente alvo de risota por parte da vítima. É assim mesmo, meus amigos, na palmada não há segundas oportunidades. Ou se aplica a dose certa ou perde-se o momento para sempre.

Só para concluir, que isto já vai longo e já estou a cheirar uma fralda por mudar. O açoite é uma oportunidade de ouro para calibrar a palmada. Não a desperdicem em vão, que eles no inverno usam mais roupa e a palmada de verão pode precisar de um upgrade.

 

p.s. - O 1º açoite de todos pode tornar-se um fiasco. Foi o caso do "1º açoite que a Zita não chegou a apanhar". Quando já puxava a mão atrás e lhe comunicava "tu vais levar um açoite!", ela respondia com toda a calma do mundo: "o que é um açoite, pai?". E a oportunidade gorou-se.



publicado por ardinario às 19:06
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
ãh?

Zita - (algo imperceptível)

Pai - ãh?

Zita - (algo mesmo imperceptível)!

Pai - desculpa??

Zita - (algo manifestamente imperceptível, mas agora num tom manifestamente furioso)!!

Pai - não percebo o que estás a querer dizer...

Zita - TÁS A GOZAR COMIGO??



publicado por ardinario às 18:29
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